quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Sinos

Sinos em Minas Gerais
PowerPoint ( PPS )
Autor : Sylvio Bazote

Imagem: xiquexiquense.blogspot.com.br

Considero o som dos sinos uma forma de poesia sonora. 

Os sinos possuíam grande prestígio e exerciam importantes funções sociais em outras épocas, sendo tocados em ocasiões de grande alegria ou perigo para a comunidade. Instrumentos musicais idealizados para transmitir um sinal (daí a origem do nome em  latim: signum), de acordo com os toques, conhecidos pela população, os sinos alertavam sobre ataques, incêndios, proximidade de vendavais, nascimento e sepultamento de pessoas.
Suas formas e pesos variaram ao longo do tempo, sendo os primeiros de chapa de ferro ou cobre. A partir do século VIII, iniciou-se a fundição dos sinos em bronze e uma liga de cobre e estanho, adicionando também uma dosagem de ouro ou prata e outros metais, para aperfeiçoar o som. Existem também sinos de pedra, vidro e madeira, com sonoridade e resistência reduzidas, se comparados aos de metal.

Os sinos eram uma forma de comunicação e o relógio comunitário. Do batismo ao funeral, a vida das pessoas era marcada pelos seus sons. Durante o dia, às 6 da manhã, ao meio-dia e às 18 horas, os sinos marcavam os horários do início do dia, do almoço e o fim do dia com orações.
Eram usados em estações ferroviárias, escolas, seminários, quartéis, cemitérios, nos grandes relógios das repartições públicas, locomotivas, carros dos bombeiros e outros veículos oficiais. Também era comum sua utilização nas residências para chamar os empregados e em repartições públicas e hotéis para chamar o funcionário responsável pelo atendimento.

Atualmente os sinos não têm voz e vez. Nas grandes cidades, as torres das igrejas estão asfixiadas entre grandes prédios e as badaladas mal são distinguidas entre os sons da agitada e barulhenta rotina moderna. Algumas igrejas substituíram as pessoas que conhecem os toques dos sinos (os sineiros) por martelos motivos a energia elétrica; outras retiraram os sinos ou os deixam parados por estarem rachados ou com a estrutura de madeira que os sustentam podres, usando sons gravados de sinos em auto-falantes. Nas pequenas cidades eles ainda são referência importante para marcar a passagem do tempo e eventos religiosos.

Em Uberaba está situada a segunda maior fábrica de sinos artesanais do Brasil, a Fundição Artística Sinos Uberaba (FASU). A técnica de fundição de sinos, trazida da Europa e usada pela Fasu, é capaz de colocar notas musicais nos sinos de bronze, utilizando matéria-prima como argila, sebo e terra, entre outros ingredientes. Em 35 anos a Fasu já confeccionou, aproximadamente, 2.000 sinos para várias igrejas brasileiras e outros países. Em Minas Gerais, 170 municípios tiveram seus sinos produzidos ou restaurados na fundição de Uberaba.

Em 03 dezembro de 2009, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em reunião ocorrida em São João del-Rei, oficializou os toques dos sinos em Minas Gerais na condição de patrimônio imaterial brasileiro, tendo como referência as cidades de São João del-Rei, Ouro Preto, Mariana, Catas Altas, Congonhas, Diamantina, Sabará, Serro e Tiradentes.
Sobre este assunto, veja a reportagem no Jornal Nacional, da Rede Globo:
Sinos em Minas Gerais: Patrimônio Imaterial do Brasil. ( 2:28 )

"(...) os toques são religiosos e têm finalidade social ou de defesa civil. Com sinais bem característicos, os nomes dos toques dos sinos, principalmente os repiques, foram criados pelos sineiros no tempo colonial e preservados na tradição oral. Os mais conhecidos são ângelus, exéquias, cinzas, finados, passos, treva, toque da ressurreição, Te Deum, incêndio, agonia, fúnebres, festivos, de parto, posse de irmandade, de almas, de missas, Natal, ano novo, das chagas ou morte do Senhor."
Fonte: Portal Uai

Muitos toques foram criados pelos próprios sineiros e a tradição foi passada de pai para filho ou entre amigos.
Sobre este assunto, veja a reportagem na Revista Brasil Atual:
São João del-Rei.
Onde os sinos falam

Manejar um sino é uma atividade arriscada e cansativa. Mantê-lo exige trabalho, com uma manutenção especializada e geralmente cara. Por isso quem pode ouvir um sino no local onde vive deve valorizar e apreciar esta oportunidade. Os sinos podem não ser uma necessidade atualmente, mas dão charme, personalidade e pompa às circunstâncias da vida.

Baixe a apresentação no link abaixo.
• Após acessar o link, ignore a mensagem informando erro para visualizar o documento, se esta aparecer. O problema é apenas na visualização, mas o documento está disponível para ser baixado sem problema.
• Clicar em "Arquivo" abaixo de "Sinos em Minas Gerais.pps" e depois clicar em "Fazer download"; ou
• Clicar na seta para baixo, abaixo da palavra "Arquivo" e ao lado do ícone da impressora.

Link para baixar o PowerPoint:

- - - - - - -

O maior sino do mundo

O Tsar Kolokol é o maior sino existente e encontra-se em Moscou, na Rússia. Fundido em bronze, pesa 222 toneladas, tem 6,14 metros de altura e 6,6 metros de diâmetro. Foi criado por Ivan Motorin e seu filho Mikhail entre 1733 e 1735, mestres artesãos que supervisionaram uma equipe de 200 homens, a pedido da imperatriz Ana. Ornamentos, pinturas e inscrições foram feitas por V. Kobelev, P. Galkin, P. Kokhtev, P. Serebryakov e P. Lukovnikov.
Quando ainda estava no seu poço de fundição, em 1737, o choque térmico entre o fogo e a água de extinção em seu processo de fusão, o fez quebrar e um pedaço de 11 toneladas e meia separou-se. Em 1836 foi exumado da sua cova pelo arquiteto Auguste de Montferrand Ricard e depositado na sua atual localização, junto à torre de Ivan, o Grande, no Kremlin, onde está exibido publicamente.
A palavra “Tsar” refere-se à prática russa de construir grandes objetos. Uma tradução livre de “Tsar Kolokol” é “O grande sino”.

Imagem: mashpedia.com

Fonte:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Tsar_Kolokol 

- - - - - - -

Vídeos:

O documentário "Mestre de ofício: sineiro" mostra as tradições e técnicas desta atividade, transmitidas por gerações nas famílias na cidade de São João del-Rei.

Mestres de ofício: sineiro ( 7:06 )
https://www.youtube.com/watch?v=derKZ8XJAdY   

O documentário "Batismo dos Sinos" é ambientado em Diamantina e mostra a relação da Igreja e das pessoas dessa cidade com suas tradições, a dificuldade em reparar sinos avariados, o processo artesanal de fabricação de novos sinos, a cultura das pessoas que tocam os sinos e a linguagem dos sinos, expressa em diferentes sons e ritmos.

Batismo dos Sinos ( Parte 1 de 2 ) ( 12:15 )
https://www.youtube.com/watch?v=0OmW46n5vzM   

Batismo dos Sinos ( Parte 2 de 2 ) ( 13:08 )
https://www.youtube.com/watch?v=KQeXcxjWpxs    

A pesquisa para o documentário "Entoados", finalizado em 2006, durou três anos e a equipe de produção esteve presente nas festas e datas importantes dos municípios de São João del-Rei, Ouro Preto, Mariana, Diamantina, Catas Altas e Tiradentes para registrar os toques, os sineiros, os sinos e a singularidade dessa referência cultural secular em Minas Gerais. É uma forma diferente de conhecer um pouco da história de Minas Gerais, contada através do olhar religioso e da voz dos sinos, revelando um universo paralelo no cotidiano, para o qual é necessário ter ouvidos e olhos atentos para percebê-lo.

Entoados ( 1:26:57 )
https://www.youtube.com/watch?v=vTYVwJ2rhIk   

Sino de bronze do período imperial ( Cemitério de Santa Cruz em Paracatu - MG )
Imagem: acontupturismo.wordpress.com

2 comentários:

  1. Olá Boa Tarde!! Gostaria de saber onde se encontra a pesquisa que seleciona as fabricas de sinos, no blog está dizendo que Uberaba é a segunda maior do Brasil, gostaria de conhecer as demais. Obrigado!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Núbia
      Desde a publicação desta postagem tive que formatar meu computador e arquivos se perderam.
      Abaixo tem alguns links que talvez lhe sejam úteis:

      O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) provavelmente tem um cadastro das fábricas de sinos. Entre em contato com eles.
      Outra opção é consultar os institutos estaduais do patrimônio histórico e artístico (IEPHA). Os de Minas, Rio de Janeiro e São Paulo têm um bom acervo regional e talvez tenham as informações em nível nacional.
      Um exemplo:
      IEPHA(MG): Tradição secular de fabricação de sinos permanece viva em Minas
      http://iepha.mg.gov.br/banco-de-noticias/742-iephamg-informa-tradicao-secular-de-fabricacao-de-sinos-permanece-viva-em-minas

      Fundição Artística Sinos Uberaba (FASU)
      http://www.sinosbronze.com.br

      Sinos Angeli
      http://sinosangeli.com.br

      Indústria de Sinos Crespi
      http://www.sinoscrespi.com.br

      Fundição Artística Paulistana
      http://fabricadesino.com.br/sinos/fundicao-artistica-paulistana

      Disponibilizei esta apresentação em PowerPoint sobre o assunto:
      http://pt.slideshare.net/SylvioBazote/sinos-em-minas-gerais

      Desejo sucesso em sua pesquisa.

      Excluir

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...