quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

ABPF

Associação Brasileira de Preservação Ferroviária 

Imagem: www.abpf.com.br

A Associação Brasileira de Preservação Ferroviária ( ABPF ) é uma entidade civil, sem fins lucrativos e de cunho histórico, cultural e educativo, reconhecida como OSCIP ( Organização Social de Interesse Público ) através de publicação no Diário Oficial da União nº 247, de 24 de dezembro de 2004.
Foi fundada em setembro de 1977, quando o francês Patrick Henri Ferdinand Dollinger reuniu interessados na preservação de locomotivas a vapor e pela divulgação da história das ferrovias no Brasil.

Seu objetivo é promover o resgate e a conservação do patrimônio histórico ferroviário brasileiro, disponibilizando os bens de sua propriedade ou sob sua responsabilidade à visitação pública, desde que a conservação do bem não seja colocada em risco.

Sua sede nacional é localizada em Campinas (SP), mas possui núcleos espalhados por diversos estados brasileiros. É composta por uma Diretoria Nacional, Diretorias Regionais e Núcleos locais.

Em 1979, a ABPF recebeu do Governo do Estado de São Paulo Governo a concessão de usar e operar 24 km da linha desativada da Ferrovia Paulista S.A. ( Fepasa ), na cidade de Campinas.
A sociedade começou então a restauração de estações e linhas ferroviária e reunir material rodante em todo o país, que foram emprestados pelos governos locais.
O resultado deste trabalho pioneiro foi a formação da Viação Férrea Campinas-Jaguariúna (VFCJ).

Estação Anhumas ( Campinas - SP )
Sede Nacional da ABPF
Locomotiva 210, oriunda da Rede Mineira de Viação ( RMV )
Imagem: pt.wikipedia.org

Uma forma de visitação é através de passeios em seus trens turísticos de passageiros. A operação destes trens é realizada pelos Museus Dinâmicos situados nas cidades Campinas (SP), Passa Quatro (MG), Rio Negrinho (SC), Piratuba (SC), São Lourenço (MG), São Paulo (SP), Morretes (PR) e Vila de Paranapiacaba (Santo André-SP). Nos Museus Dinâmicos estão abrigados vários tipos de locomotivas a vapor, vagões de carga e carros de passageiros de valor histórico. Adicionalmente, os museus exibem toda a estrutura que compõe uma ferrovia, desde as estações ferroviárias com seus equipamentos de comunicação e sinalização, até a própria via permanente ( linha do trem ).
Os trens de passageiros da ABPF utilizam locomotivas e carros antigos pertencentes ao seu acervo, que foram restaurados por associados e colaboradores. Durante a viagem, os visitantes têm a oportunidade de vivenciar o meio de transporte utilizado no passado, recebendo explicações sobre o funcionamento de uma locomotiva a vapor e ouvindo informações históricas relevantes.

Todas as atividades desenvolvidas pela ABPF são realizadas por seus associados na forma de trabalho voluntário. Estes associados voluntários têm as mais variadas formações e ocupações, sendo alguns ferroviários da ativa e aposentados. Adicionalmente, a ABPF conta com as importantes colaborações financeiras dos associados e da colaboração de empresas parceiras, que têm um papel importante em suas realizações.

Ferrovia Tereza Cristina
Locomotiva B12 - General Motors ( Diesel e Elétrica )
Imagem: pt.wikipedia.org

O trabalho sério e eficiente da ABPF ganhou reconhecimento nacional e se tornou referência para outras associações ferroviárias. Governos municipais e estaduais recorrem à associação para estudos de viabilidade na implantação de trens turísticos e execução dos trabalhos necessários, em parceria ou por conta apenas da ABPF.
Em minha opinião, a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária é a entidade ferroviária mais importante do país e o nível de excelência do seu trabalho é fundamental para a preservação da prática e da memória do transporte ferroviário de passageiros no Brasil.

É possível ajudar na preservação ferroviária do Brasil associando-se à ABPF.
Para informações de como se associar, acesse o link:



Trem Serra da Mantiqueira
Locomotiva 332, na Ponte Estrela ( Passa Quatro - MG )
Imagem: pt.wikipedia.org

Para mais informações sobre a ABPF, acesse:

Wikipédia
Associação Brasileira de Preservação Ferroviária

Site da ABPF:

Site do Núcleo de Campinas da ABPF:

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Vídeos:

Preservação ferroviária no Brasil - ABPF
( 17:00 )
Curta-metragem com cenas captadas em VHS entre 1989 e 1990, com a intenção de criar um registro das atividades da ABPF.

Associação Brasileira de Preservação Ferroviária ( ABPF )
( 25:32 )
Vídeo feito em 1992, por ocasião dos 15 anos da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Pernambucanos e franceses em 1817

Os revolucionários pernambucanos e o resgate de Napoleão

Óleo sobre tela "Napoleão em Santa Helena" ( François-Joseph Sandmann )
Imagem: en.wikipedia.org

A Revolução Pernambucana de 1817 e a fuga de Napoleão

A queda de Napoleão em 1815 significou para muitos oficiais dos exércitos franceses uma situação muito difícil, pois ou prestavam juramento de fidelidade ao rei Luís XVIII ou se contentavam em receber meio soldo. Por isso, numerosos oficiais preferiram o exílio nos Estados Unidos, onde havia oportunidades para “soldados de fortuna”. Poucos meses depois da queda do império de Napoleão, já estavam nos EUA cerca de mil oficiais franceses de várias patentes, que possuíam interesse em libertar Napoleão da ilha inglesa de Santa Helena, no Oceano Atlântico.

O chefe da conspiração francesa nos EUA era o irmão do imperador, José Bonaparte, que fora rei da Espanha. Por meio dos contatos de Cabugá, os conspiradores viram no Brasil uma possibilidade de colocar em prática seus planos, e militares franceses se deslocaram para Pernambuco a fim de preparar a operação. Durante o período de existência da República de Pernambuco, Cabugá adquiriu armamentos e munições e os enviou ao Brasil. Sem saber da derrota da revolução em Pernambuco, ele articulou a vinda para o Brasil de dois navios corsários americamos, o “Paragon” e o “Penguin”, e continuou ajudando os franceses exilados que planejavam o resgate de Napoleão.

O plano de fuga de Napoleão, orquestrado por José Bonaparte, é conhecido com detalhes quando em 1853 vem a ser publicada, em Londres, a correspondência diplomática trocada entre Charles Bagot, de Washington, com o Lord Castlereagh, em Londres. Segundo Alfredo de Carvalho, que faz referência à documentação no seu livro “Aventuras e Aventureiros no Brasil” (1929), um relatório datado de 29 de julho de 1817 explica que foi escolhido como ponto de encontro da expedição a ilha de Fernando de Noronha, para onde iriam os barcos de guerra especialmente fretados para aquela operação. Ali deveriam reunir-se em duas escunas aproximadamente 80 oficiais franceses de Bonaparte e 700 marinheiros americanos, além de um navio armado pelo Lord Cochrane, tendo a bordo 800 marinheiros e 200 oficiais. Essas forças deveriam atacar Jamestown, capital da ilha de Santa Helena, como uma manobra para atrair os defensores ingleses, deixando livres a Sandy Bay e a Prosperous Bay, onde desembarcaria a maioria das tropas da expedição. Estas se dirigiriam à residência de Napoleão, na capital, e o levaria para a Prosperous Bay. Seguiriam para Recife e viajariam depois para Nova Orleans, nos Estados Unidos.

Em 15 de junho de 1817, sem saber do fim da revolução em Pernambuco, sai da Filadélfia o navio corsário americano “Paragon”, transportando um carregamento de breu e um grupo de 4 franceses composto pelo jovem cientista Louis Adolpho Lê Doucet (filho do conde de Pontécoulant), os oficiais bonapartistas Artong e Roulet, chefiados pelo experiente coronel Paul-Albert-Marie de Latapie.

Em 29 de agosto de 1817 chegam à Baía Formosa, a 50 quilômetros de Natal, no Rio Grande do Norte. Ao desembarcar souberam que a revolução havia sido sufocada. O fato não era mais grave para os franceses porque o cônsul americano Joseph Ray continuaria a dar-lhes cobertura em Recife. Em Natal desembarcaram Artong e Louis Adolpho, que fez boas relações com o secretário do governador do Rio Grande do Norte, José Ignácio Borges, que facilitou para todo grupo os passaportes necessários para viagens por todo território brasileiro. Louis Adolpho e Artong partem para a Paraíba, onde o Paragon havia desembarcado Raulet e o coronel Latapie.

Na Paraíba, o governador local mandou prender os quatro franceses, enviando-os para a Fortaleza do Brum em Recife. Por intervenção do cônsul Joseph Ray junto ao governador do Pernambuco, capitão-general Luiz do Rego Barreto, todos são libertados, não sem antes confessar que “estavam na Filadélfia quando tomaram conhecimento das notícias da revolução de Pernambuco”.

Louis Adolpho regressa ao Rio Grande do Norte, enquanto os três outros ficam em Recife, na casa do cônsul Ray, centro de todas as medidas para o êxito da expedição francesa à Santa Helena. Nesta época aportou em Recife o navio americano “Penguin”, enviado por Cabugá, com 4.500 mosquetes, 500 pistolas, 500 sabres de cavalaria, muito breu e alcatrão (Mourão, 2009:249-250), o que alarmou o governador pernambucano.

No Rio de Janeiro um cidadão americano declara ao presidente da Alçada responsável pelos inquéritos sobre a revolução pernambucana que o cônsul Ray estava em contato direto com Cabugá e os líderes da expedição francesa. O cônsul afirmou abertamente a este cidadão que seria muito fácil obter a independência do Brasil, porque o governo português do Rio de Janeiro ficaria reduzido à impotência pela intervenção armada dos Estados Unidos e a neutralidade da Inglaterra. O interrogatório de tripulantes do navio americano “Penguin” confirmou essas declarações alarmantes.

Em Recife, no início de 1818, o governador Luiz do Rego pede ao Rio de Janeiro autorização para efetuar busca na casa do cônsul americano e lá encontra três pernambucanos implicados na Revolução de 1817 e os três franceses libertados da Fortaleza do Brum, prova incontestável de sua cumplicidade.

A imunidade consular salva Ray, mas é confiscado o livro de correspondências oficiais e presos os seis encontrados, além do secretário do consulado, o dinamarquês Georges Fleming Holdt, que havia servido na marinha de Napoleão. Na prisão, o dinamarquês Holdt declara detalhes do plano traçado para a fuga de Napoleão, que lhe fora descrito em minúcias pelo coronel Latapie durante jantar na casa do cônsul norte-americano. Do plano ali narrado já tinha conhecimento o próprio Napoleão, que autenticara com a sua assinatura às cartas geográficas enviadas sob sigilo de Santa Helena para José Bonaparte, nos Estados Unidos, que por sua vez confirmou à Napoleão a existência da quantia de mais de 1 milhão de dólares para as despesas com a pequena frota e mercenários para o resgate.

Enquanto isso chegavam ao Ceará mais franceses ilustres a bordo da fragata “Les Trois Frères”. Os bonapartistas contavam que na França se falava com entusiasmo do sucesso da Revolução Pernambucana e vários franceses decidiram embarcar para o Brasil a fim de juntar-se à expedição destinada a Santa Helena.

As autoridades portuguesas começaram a preocupar-se seriamente com a chegada de dezenas de franceses de origem nobre, que não poderiam prender impunemente sem protesto do governo francês, com o qual Portugal mantinha agora excelentes relações. Por outro lado, o governo português não podia deixar de reagir à crescente pressão do governo inglês, seu aliado, interessado em manter Napoleão em segurança na sua ilha.

O cônsul Joseph Ray argumenta com as autoridades portuguesas que Louis Adolfo, Roulet, Latapie e Artong não tinham vindo ao Brasil com intuito de fazer agitação ou pregação em favor da proclamação de uma república, mas apenas sondar o ambiente e estudar a possibilidade de colocar em prática um plano de fuga de seu imperador, prisioneiro dos ingleses em Santa Helena.

Acatando tal argumentação, o Tribunal de Alçada de Pernambuco, julgando-se incompetente em razão dos fatos, enviou os franceses para o Rio de Janeiro de onde foram, no mais curto espaço de tempo, embarcados para Portugal, que logo os expulsou do seu território através da fronteira com a Espanha.

Na Ilha de Santa Helena o comandante inglês, sir Hudson Lowe, foi informado dos fatos no Brasil pelo ministro inglês no Rio de Janeiro e tomou diversas medidas para reforçar a defesa da ilha. Instalou telégrafos e novas baterias de artilharia em Sandy Bay, em Prosperous Bay e na capital Jamestown, os três pontos mais fáceis para desembarque e que faziam parte dos planos do resgate de Npoleão.

Os planos dos bonapartistas nunca se concretizaram, mas com os ingleses já informados e preparados, os franceses dificilmente teriam conseguido resgatar Napoleão da ilha.


Localização da Ilha de Santa Helena ( ampliada e destacada )
Imagem: pt.wikipedia.org


Topografia da Ilha de Santa Helena
Pontos reforçados por sir Hudson Lowe em destaque, com contorno vermelho.
Imagem: pt.wikipedia.org


Napoleão em Santa Helena, vigiado pelo governador, sir Hudson Lowe, 
e seu ajudante-de-campo Gideon Gorrequer.
Ilustração: John Keay
Imagem: lookandlearn.com

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Para saber mais sobre a Revolução Pernambucana de 1817, acesse o link abaixo:


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Fontes de consulta:

História Viva

O resgate de Napoleão 
http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/o_resgate_de_napoleao.html 

A Relíquia

A fracassada fuga de Napoleão para o Brasil
http://www.areliquia.com.br/150napoleao.html 

Rio Blog
Ilha de Santa Helena

Wikipédia
Santa Helena

Wikipédia
Santa Helena ( Ilha )

MOURÃO, Gonçalo de Barros Carvalho e Mello. A revolução de 1817 e a história do Brasil : um estudo de história diplomática. Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, 2009.
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